PROGRAMA Nº 2
Nosso segundo programa traz uma entrevista com o poeta pernambucano, radicado em Santo André (SP), Fabiano Calixto, que publicou os seguintes livros de poemas: Algum (1998), Fábrica (2000), Um mundo só para cada par (em parceria com Kleber Mantovani e Tarso de Melo, 2001), Música possível (2006) e Sangüínea (Editora 34, 2007). Publicou também o livro de poemas infantis Pão com bife (2007). Organizou, com André Dick,o livro A linha que nunca termina – Pensando Paulo Leminski (Lamparina, 2005) e traduziu poemas de autores como Jim Morrison, Apollinaire, John Lennon e Sylvia Plath.É também um dos editores da revista de poesia Modo de Usar & Co.
Nas dicas culturais, confira as sugestões de Celso Borges, nosso entrevistado da semana passada. E no quadro sonar, apresentamos adaptações dos seguintes poemas: "A canção do vendedor de pipocas", do livro Sangüínea (2007), de Fabiano Calixto; e "Schopenhauer", do livro A sombra do Leopardo (2001), de Claudio Daniel.
Nas dicas culturais, confira as sugestões de Celso Borges, nosso entrevistado da semana passada. E no quadro sonar, apresentamos adaptações dos seguintes poemas: "A canção do vendedor de pipocas", do livro Sangüínea (2007), de Fabiano Calixto; e "Schopenhauer", do livro A sombra do Leopardo (2001), de Claudio Daniel.
PROGRAMA N°3


Nas dicas culturais, confira as sugestões de Fabiano Calixto, nosso entrevistado da semana passada.
No quadro sonar, apresentamos adaptações dos seguintes poemas: "O poço", do livro As faces do Rio (1991), de Donizete Galvão; e "Casino", do livro Rilke Shake (2007), de Angélica Freitas.
1
O poço não é um buraco com água a céu aberto,
mas cristal líquido, cravado no tijuco cinza.
Cada dia o poço é um e está mudado em outro:
à custa de tanto uso, cada manhã mais novo.
Sempre outra é a dança dos círculos até a borda.
que pouca pedra basta para infinitos movimentos.
A primeira água do poço não serve para o pote.
pois sempre há cisco, insetos ou pele de ferrugem.
Entretanto, o fundo do poço tem belezas de parto:
a mina lança brotos de água e insufla areia fina.
Se à noite chove, o poço turva-se como quem morre.
Não amanhece espelho e sim buraco com água suja.
2
Beber água do poço, direto, sem caneca, exige tento,
pois a concha da mão não basta para quem tem sede.
Um modo elegante de para o poço fazer reverência
é tirar o chapéu e mergulhá-lo,agora mudado em copo.
O suor pode botar gosto de sal na água doce do chapéu,
mas o que refresca a garganta, também a cabeça esfria.
Outro modo, é quando há por perto folhas de inhame.
A água desliza no verde com sua película de prata.
E as gotas, na corda bamba, tais quais aquáticas bailarinas,
bailam tão puras, que a gente sente pena de bebê-las.
Mais um modo, é como o papa deitar-se de corpo inteiro:
a boca beija a água e, do fundo, outro olho nos enxerga.
Enquanto se engole a água, as costelas roçam o chão.
Não se sabe se o pulsar é dela, terra, ou dele, coração.
casino
ao creme:
boca ostra língua
lago lua lugar
paisagem com pinheiros
ao fundo. você sempre
preferiu o cru
ao écrã, insônia a
barbeiro de sevilha.
paisagem de pinheiros
com abismo
por trás.
você precisa
habitar as elipses
precisa dissecar
o sapo da poesia
- não abole o poço.
salta saltador
o grande salto.
a maresia come
as rodas do carro.
você prefere o cru
nem precisava
ter dito.
(Angélica Freitas)
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